Caminho de Santidade e Processo de Beatificação na Diocese
Na Diocese de Presidente Prudente, a vida e o legado do Monsenhor Domingos Chohachi Nakamura continuam a inspirar gerações de fiéis. Reconhecido por sua humildade, dedicação ao serviço pastoral e profundo amor pelos mais pobres, Monsenhor Nakamura se tornou um exemplo vivo de santidade. Atualmente, seu processo de beatificação e canonização, iniciado com grande devoção, representa um marco de fé para a Igreja local, convidando-nos a refletir sobre sua vida e obra, que testemunharam o Evangelho de maneira exemplar e transformadora.

O processo envolve um histórico da vida, virtudes e fama de santidade do dito servo de Deus, que necessitam seguir a legislação vigente da Congregação para as Causas dos Santos da Igreja Católica. Desde 2002, a Diocese de Presidente Prudente, em parceria com a Pastoral Nipo-Brasileira (Panib), investe esforços para dar andamento a este processo.

A fama de santidade do monsenhor Nakamura difundiu-se e continua a crescer a cada dia, contando com um número significativo de devotos que recorrem à sua intercessão junto a Deus após a sua morte. Conheça um breve relato de sua história:
Conclusão da Fase de Investigação Supletória
A Diocese de Presidente Prudente realizou, no dia 3 de março (terça-feira), a assinatura pública do Relatório Histórico e do Decreto de Conclusão da fase supletória do processo de canonização do Servo de Deus Monsenhor Domingos Chohachi Nakamura. A cerimônia marcou o encerramento da etapa dedicada à complementação de provas e documentos sobre a vida e a missão do sacerdote, reconhecido como o primeiro missionário católico japonês em terras brasileiras.
O Relatório Histórico foi fruto de cerca de dois anos de pesquisa, reunindo registros paroquiais e civis, obras biográficas, reportagens, arquivos fotográficos e livros de batismo assinados pelo próprio missionário. A investigação evidenciou a coerência entre o testemunho de vida e a prática pastoral de Monsenhor Nakamura, cuja fama de santidade permanece viva, especialmente em Álvares Machado (SP), onde desenvolveu grande parte de seu apostolado entre 1923 e 1940.
O ato contou com a presença do bispo diocesano, Dom Benedito Gonçalves dos Santos, do vice-postulador da causa, Pe. Me. Leandro César Martins, do notário Pe. Jurandir Severino de Lima, do presidente da Comissão Histórica, Benjamin Teodoro de Resende, dos peritos Thaisa Sallum Bacco, Marco Vinicius Ropelli e Vinícius Marini Coimbra, do presidente do Centro de Pesquisas Monsenhor Nakamura, Francisco Haruo Hirata, do vice-presidente, Luiz Saito, além de representantes da comunidade.

Após a assinatura, a documentação será encaminhada ao Dicastério para as Causas dos Santos, na Santa Sé, dando continuidade ao processo em Roma.

A solenidade, realizada no Auditório da Cúria Diocesana, foi marcada por espírito de gratidão e esperança, representando um passo significativo para a Igreja particular e aproximando Monsenhor Nakamura do reconhecimento oficial como venerável da Igreja.

Biografia
Monsenhor Domingos Nakamura nasceu no dia 22 de agosto de 1865, em Fukue, uma das ihas do arquipélago Goto, em um vilarejo chamado Minami Matsuura-Gun, Okura Mura e, foi batizado com o nome de Dominic Chohachi. Seus pais, Hatsugoro e Tsugue, eram descendentes dos cristãos que haviam chegado a ilha, refugiando-se das perseguições religiosas.
Em 1868, quando Chohachi tinha apenas três anos de idade, seu pai, Hatsugoro, surpreendido pela tempestade, desapareceu em alto mar e seu corpo nunca foi resgatado.
Sua mãe, Tsugue, casou-se novamente em segundas núpcias. Porém, em 1880, quando Chohachi completava 15 anos de idade, ela faleceu. No mesmo ano, outra tragédia, sua única irmã, Yone, veio a falecer. Desta forma, viu-se sozinho, órfão de pai e mãe, e o único parente mais próximo era seu tio Kiuzo.
Em 1880, ingressou no Seminário de Nagasaki. Fez estudos clássicos, filosóficos e teológicos com distinção. Dezessete anos depois, no dia 7 de fevereiro de 1897 foi ordenado pela imposição das mãos do bispo de Nagasaki, Dom Cousin.
Passadas duas semanas, recebeu a sua primeira nomeação. Dom Cousin o designava para as missões da ilha Amami Oshima, localizada bem ao sul do Japão, banhada pelo Oceano Pacífico. Nakamura, durante 26 anos ininterruptos, trabalhou incansavelmente na ilha, merecendo muita estima e admiração dos ilhéus.
Em 1912 toma posse o novo bispo de Nakasaki, Dom Compaz, de origem francesa. No final de 1922, ele recebeu o pedido que vinha do Brasil, solicitando um ou dois padres de sua Diocese, para atender os japoneses que haviam emigrado para o Brasil. Como nenhum outro sacerdote havia se apresentado, monsenhor Nakamura comunicou ao bispo que, embora sendo idoso, se fosse aceito, aceitaria a incumbência de ir ao Brasil, a fim de trabalhar para os imigrantes japoneses.
Ele não imaginava que a resposta viesse tão rápida. Seus paroquianos ainda comemoravam a festa do Ano Novo de 1923, quando recebeu um telegrama do bispo, Dom Compaz, informando-lhe que seu pedido tinha sido aprovado, portanto, deveria se apresentar, imediatamente, para os preparativos de viagem rumo ao Brasil.
No dia 23 de abril, recebe o passaporte em Nagasaki e, finalmente, no dia 11 de junho, embarca no navio “Yusen Kawati-Maru”, rumo ao Brasil.
No dia 23 de agosto de 1923, depois de dois meses de cansativa viagem, chega a sua nova pátria. Ao desembarcar no porto de Santos, monsenhor Nakamura pisava em solo estrangeiro pela primeira vez. Nunca antes tinha viajado para o exterior.

Segue, de imediato, até o Rio de Janeiro (RJ) e visita o Núncio Apostólico, Dom Enrico Gasparri. Na oportunidade, recebe do Núncio uma carta de recomendação às Ordens Eclesiásticas, assegurando que o apostolado, entre os imigrantes japoneses, era um desejo apostólico de Roma.
Finalmente, no dia 30 de agosto de 1923, chega a sede do Bispado em Botucatu. É recebido com muita alegria por Dom Lúcio Antunes de Souza, primeiro prelado a solicitar a vinda de padre do Japão.
Sem perda de tempo, decorridos pouco mais de 30 dias de sua chegada, inicia sua caminhada missionária. As viagens que empreendia eram as mais precárias possíveis. Apenas em poucas
ocasiões viajavam de trem. Na maioria das vezes, ele utilizava como meio de transporte, o que era mais comum: as carroças, os cavalos ou andava a pé, carregando pesadas bagagens, inclusive a pedra de ara e outros objetos para a celebração da Missa.
Nessas viagens que se estendiam não só a Diocese de Botucatu, mas também a todo Estado de São Paulo, Mato Grosso, Paraná e sul de Minas Gerais, percorria inúmeras localidades, em árduo trabalho de pastoreiro das almas. Destarte, sucessiva e incansavelmente realizava a caminhada missionária, ano após
ano.
Ainda, em 1927, monsenhor participou da fundação do Colégio São Francisco Xavier, juntamente com o padre Guido Del Toro SJ, padre Miguel de Cruce OSB. e Aoki Shinto.
Em 1938, no Palácio Episcopal de São Paulo, recebe das mãos do Almirante Shinjiro Yamamoto, da Marinha Imperial Japonesa, a medalha “Ordem de São Gregório, Grande” que lhe concede o Papa Pio XI.
Em um bairro de Birigui, por muito pouco tempo, residiu numa moradia de extrema pobreza. Em seguida, fixou sua residência em Álvares Machado (SP). Sua casa possuía apenas dois cômodos e localizava no meio das plantações de café e algodão.
Monsenhor Nakamura não teve uma paróquia no Brasil. Sempre foi missionário itinerante. Depois de 42 anos de sacerdócio, dos quais 17 anos no Brasil, faleceu no dia 14 de março de 1940, às 16h, em Álvares Machado, no então Bairro Brejão, deixando exemplo de trabalho, humildade e pobreza, como verdadeiro apóstolo de Cristo.

Oração
O Deus, que na vossa infinita misericórdia concedestes inúmeras graças ao vosso servo, Domingos Nakamura que, como pastor e missionário itinerante, por amor ao próximo e a serviço do Evangelho, percorreu longas distâncias e centenas de localidades, pela conversão e salvação das almas, suscitai-nos o desejo de imitá-lo no seu exemplo de humildade, pobreza e trabalho, aumentai em nós a Fé, a Esperança e a Caridade, e concedei-nos a graça que ardentemente desejamos. Amém.
Rezar Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai.
(C/ aprovação eclesiástica)
Graças Alcançadas, entre em contato no telefone (18) 3273-1125.